Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

imagem interpessoal

 

Tarde chego a todo o sistema,

àquela mancha cinza, ocre e

sanguínea, que nos tira o saber

metálico, que respira por nós

num túnel de sonhos pensativo,

em forma de magnético reduzido.

 

Mesmo assim voltado ao vento,

prenúncios do passado distinto

me dizem mãos no pensamento

de imagens no cais do lamento,

onde a vida corre ao milímetro...


publicado por MateusVoltado às 23:04
link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 24 de Março de 2010

o vento que nos guarda

Elegia

 

 

para meu irmão António

 

Ele bem quisera afastar o frio

das florestas pequenas do Mundo,

com falas assimétricas, onde o vento

se aconchega por momentos

vividos entre madeiras de quebrança;

 

Densas flores geladas à hora certa,

queimadas de sussurros e milagres

de ventos impetuosos, num silêncio

sagrado entre nós os desesperados,

num suave sono esquecido de Março.

 

Porque hei-de chorar enquanto

no mar alto se esvai tudo na terra...

e tudo se perde em lágrimas ao mar?


publicado por MateusVoltado às 22:49
link do post | comentar
Segunda-feira, 1 de Março de 2010

a mágica transformação

 

 

Quem sobe o rio Douro

o fenómeno de memórias

de palavras poéticas escritas

dos orfeus do passado,

admira o que foi admirado

numa clara geografia

de momentos da Galafura

ao miradouro de S.Brás;

 

Fixa tudo o que a natureza

dá, rigidez das escarpas

de montanha acima

envolvida em mulheres

formigas que se espigam

no mar das vindimas...

 

Da torridez estival do clima,

à tormenta da chuva

entre ravinas do eterno rio

da Valeira, flutuam

os últimos raios de sol;

a uva torna-se mais digna

na mágica transformação

do néctar à forma divina.

 


publicado por MateusVoltado às 22:58
link do post | comentar
Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

era assim o caminho marítimo


®manuelvarella

 

Ó Camões que iludiste a farsa

Ó Sebastião o desaparecido d'África

outros lutaram, outros ficaram à rasca

e dar lugar ao núcleo de pé

jovem messiânico sentado em paz

 

Sebastião d'Ourique mito de Portugal

deu razão a Camões e Pessoa o Quinto Império

Ó águas turvas do Tejo poeta

Ó lugares das ninfas cantadeiras

nelas de trajares e  deles a suarem o leito

e a elas suplicaram de outro jeito

Ó trovas e amores que da Tágide liberta


publicado por MateusVoltado às 22:17
link do post | comentar
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

que poetas árabes em seu tempo

EL TIEMPO
 
Abrazo a la espiga del tiempo,
mi cabeza es una torre de fuego.
¿Qué es esta sangre que palpita en la arena
y qué es este ocaso?
Llama del presente, ¿qué vamos a decir?
[...]
Abrazo la época que viene y camino,
rebelde, con andares de capitán,
trazando mi país.
Subid a sus más altas cimas,
descended a sus profundidades.
No encontraréis miedo ni cadenas.
Es como si el pájaro fuera rama,
la tierra un niño y los mitos mujeres
¿o tal vez sueños?
 
 
excerto de um longo poema
de Adonis
(Ali Ahmad Said)
 
tradução do árabe de
Maria Luísa Prieto


publicado por MateusVoltado às 23:41
link do post | comentar
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

o caminho de eufrates

sem milagres


a frequência da luz
vem atrás da sombra,
a frieza primaveril
do tempo de Jesus,
fria e quente seduz
a esperança do acerto
das estações ao tempo;
milénios de história
entre constelações
de almas perturbadas
onde os cometas nascem
e voltam a morrer na cruz
fotográfica e longe
da saudade que os reduz
a ícones de insónia; 

cores da Babilónia
onde a linguagem emerge
cadenciada de sons
marítimos e odores

carisma de Babel onde
repousam as primeiras águas
do Tigre e Eufrates.


publicado por MateusVoltado às 19:19
link do post | comentar
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

ai, se o ai para 2010

2009

Ai, se o ai fosse meu

me falasse sempre

deste mundo nada visto,

esse dois ais constantes

voltados à raiva distante

de sóis e rios onde passam,

livres de correntes, o eco

persistente de sons,

que não se escutam longe;

 

Esses outros caídos,

que recuam do espaço

a compasso  das mãos

no teclado em vozes  sol.

 

Ai, se o ai o não fosse

em vozes do passado, 

mas o numérico teclado

do cismo eléctrico

do Natal e o presépio.

 


publicado por MateusVoltado às 17:25
link do post | comentar
Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

un poème da carta de navegação

® Dizia ele para tudo: 'os alemães  o QUÊ....?'


publicado por MateusVoltado às 17:50
link do post | comentar
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

ter coisas a dizer é dizê-Las

 

voltei à montanha onde a luz

está perto das nuvens, e parecem

flores brancas fruídas de maldição,

que as rezas e caminhadas longe

é saber o contexto da palavra;

 

como sinal do sol é reflectir a alma

perco o sabor da paixão no tempo,

e esculpir o crepúsculo do vento...

 


publicado por MateusVoltado às 17:14
link do post | comentar
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

entre cores e sabores o verde


 

vou pegar a minha indignação
ao contrário do vento que me faz
agreste e falador de outro mundo
de formas a cores e tiragens de jornais
processadores agora e jamais...

 

corre nesta fórmula o desejo de crer
entre mares e costumes e encontrar
as mansas feituras do segundo
velocidade que não dirige a verdade
e suportar os discursos imundos...


publicado por MateusVoltado às 22:24
link do post | comentar
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

mUrosLatas&truqueS

 

o meu interior são pântanos
derreados sobre a loucura
com latas e buracos na sucata
pinturas de merdas sem esmalte

num desejo a voltar ao exterior
numa vida de azul tremeluzida
de música cruzada no ventre
e na voz da estrada dorida;

na respiração das levitações
esquecidas em quedas do infinito
indecisão mental das realidades
e clausura dos anos sessenta
.


publicado por MateusVoltado às 16:25
link do post | comentar
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

às vezes dá para lembrar


12 de Julho de 1967

 

Minhas mãos te escrevem no corpo,

palavras que me doem no meu;

caminham  sempre em escrita cerrada,

e no significado de cada letra diluída,

resta o meu pensamento cansado.

 

Redonda forma em mar sereno

segreda-me uma só palavra tua,

e repousa na onda a mensagem,

seio de escrita ao sabor da Lua.

coimbra 1967 


publicado por MateusVoltado às 16:56
link do post | comentar
Domingo, 1 de Novembro de 2009

um retrato asneirado

 

tanta coisa que não se conhece

havendo tudo que nada que se precisa;

salve-se quem sempre aparece

sabendo tudo que nada interessa

na hora, no tempo, na ideia concisa...

 

pourquoi un progrè?

et pourquoi une gêne?

 

MLV.2008

 


publicado por MateusVoltado às 18:38
link do post | comentar

'arte pelo todo' Fernando de Paços

  HOMENAGEM AO POETA
                   da
        'Távola Redonda'

      Fernando de Paços


[...]Caminhos, onde
O sol já quasi frio,

Quasi confunde

O meu tremer

De desespero

E a minha sede de ter

O que ainda espero...

 

Dias perdidos...Dias que hão de vir...

 

Enquanto o mar nos adormece os sentimentos

Para os sonhos do nosso entardecer...

 

Fenando de Paços

    -1923-2003

excerto do poema

  CREPÚSCULO


publicado por MateusVoltado às 15:37
link do post | comentar
Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

o zumbido da melga


outra vez o dr. saramago aparece a bufar  ostras do conhecimento

bíblico, quando não é coisa nenhuma escrever um livro sobre CAIM

[e por que não ABEL?] senão para arranjar um pretexto de publicidade

de borla, ufffff. de borla e com desejos de voltar a um novo escândalo

como '...segundo Jesus Cristo' consagrar o que já foi dito ca'té serviu

para receber o prémio nobel...ai, zajus, zajus, zajus...

ler 'bíblias' não chega; deve entender-se o que está escrito..., como,

onde, e para quê. concerteza não será para copiar à balda, não? 


publicado por MateusVoltado às 17:55
link do post | comentar
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

do mondego perdida

álea nocturna brilhante húmida

riscos de chuva e fogo d'artificio,

sei lá quê de inocência a recordar,

aqueles carris de ferro a gemer

a gemer carruagens se cruzam;

 

ora do norte ora do sul e batem 

vidros, ventos dizem palavras

não mais recordar o estremecer

a desesperar momentos longos

não fosse tudo o mais esquecer

 

sensações a dormir e logo acordar

meu começo esse fixo querer

do passado temer o presente e dar

quem me fica nos braços longe...

 

 


publicado por MateusVoltado às 17:15
link do post | comentar
Terça-feira, 13 de Maio de 2008

lugares transparentes

depois vem a transparência
da vontade, a memória_____
e a resplandecência da cena
enquanto aves negras escusam
perder tempo nos tempos ____
rodeando o espaço, cantando
a vitória de amores devassos

passam as épocas, outros hão
dividir as searas como sempre
sem limites transparentes____
de matéria dividida a doentes
crentes do sinal e da semente
que hão-de também ser gente.    
 


publicado por MateusVoltado às 23:04
link do post | comentar
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

nem tudo que mexe

Se ouro fosse uma flor
Teria um jardim dourado
De águas correntes e sons
Por todo o lado, brilhantes
Poços de minas frescas
De alabastros florescentes
Como que enrolada em espuma
Do tempo onde divago;

Desejo não ter desejos
E olhar estrelas azuis
Melodias inaudíveis
Escritas no feminino, sol
Maior de voz rosada
Em cada face pálida, onde
A mão em forma de noz
Sombreia nevoeiros cinzentos

Outro quinteto de matéria
No areal da praia a Loura
Esmeralda verde-mar limão
Cantares do arco-íris pintado
Ó flores de indecifráveis cores,
Então o mundo está oco...
Graças dos olhos que vejo
Se nem tudo que anda é ouro.

publicado por MateusVoltado às 23:13
link do post | comentar
Domingo, 14 de Outubro de 2007

pela insónia costumeira

____andei pelo volume da atmosfera;
_______que a devoção seja mistério
nos apertões em conflitos________
e cada um_______ sabe da sua arte
porque ser peregrino é algo de sério.

os valores do espírito estão no tinto
na forma__inteligente____esquecer
com mil ciclos no ouvido__________
a ferver no cérebro_____descontente
em forma de gente.

ah,____________lúcido para sempre
______num mar de florais e anémonas
onde a decisão se pratica __________
crepúsculo__________ insónia e tempo
__________ no cantar a solidão da gente.

: Confutatis, do Requiam de Mozart

publicado por MateusVoltado às 23:22
link do post | comentar
Sábado, 13 de Outubro de 2007

amanhã já te despedes



quem te diz que esta flor não és tu,
que eu sei onde te encontro sem desejo
naquele jardim de fonte d’água limpa,
de medo nocturno e reflexa chuva
caída no terminus d’alba loucura;

na volta deixaste cair com doçura
o manto de seda púrpura no lago
onde navega a saudade em água turva,
sem ventos nem rumores esquecidos
de calúnias mal queridas a pensar...

logo te ergues num salto felino  seco,
rodopiando nas portas daquele reino
onde amar é uma forma de pesca,
seja em águas turvas seja no mar
distante embarcação do navegante.

árvore onde  colhes a luz e as estrelas
num brilho escusado de quem sabe voar,
limite de sons e falas etéreas, esse espaço
dum olhar minucioso perante o céu
de provérbios e luzes, sinais fulgurantes.

publicado por MateusVoltado às 17:45
link do post | comentar
Domingo, 30 de Setembro de 2007

bairro dos marítimos


Andam passos da noite projectados
numa sombra de metáforas ao luar, luz
de mar e prata em brilhantes espumas,
equinócio a mar como chuva de Março.

Que risos que ouvidos num eco cerrado
em formas de ondas luminares de Sol
sob profundas escadas do oceano
entre penedos naif   e lobos marinhos.

Estádios floridos e maravilhados com 
rosas murchas da velha cabeça nua
numa desgraça que não caminha só
arrepiada na assuada que os leva à rua

Onde a morte não chega a viver assim
quase esquecida em fumos e desesperos
numa tarde na praia deitada em tal sorte...

publicado por MateusVoltado às 22:24
link do post | comentar
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

tranquilas aves do pensar

Penso numa janela aberta
Onde o mundo não existe
Penso no tempo que passei a ter
Cuidados comigo; com a palavra
Ser para não parecer com outros
Que de imediato recuso. Descanso

Quando penso que o mal não sou eu
Penso no tempo do Liceu, o que
Aprendi o que sei e me esqueceu
Nas marcas que deixam ficar
E não parecer, nem o lutar de ser

Os impulsos de fazer, diferente
E avançar em percurso, lento
Demais para as ideias feitas...

Quase perfeitas se igualdade fosse
Igual, a partilhas terrosas da floresta
Sem limites de territórios solitários

publicado por MateusVoltado às 23:57
link do post | comentar
Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

blanco e negro

...se na alma da vida
a cor do mundo predomina
o amor renasce enternecido
numa dimensão gémea
de comunicar a despedida

assim a dor se torna
em ferida calma e não
em forma doentia
ou aviso trespassado;

aquele corpo equilibrado
aquele sorriso de brilhos,
olhos tristes de saudade,
a fusão de corpos unidos
a nudez de silêncios
e afectos bem-queridos

publicado por MateusVoltado às 00:01
link do post | comentar
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

ginja como reconstrução da idade

a vírgula

saltério a saltar meio aéreo
que salte claro e a sério
antes de chegar a noite
já o dia me acordou
penso uma pessoa não poeta
nem asceta meio pateta
ah, tanto nome tanta ginja

deixo a porta aberta
para que não finja
uma amizade apardalada
vai poeta do quarto dez
buscar outro nome
escreve poema se poeta és

publicado por MateusVoltado às 19:25
link do post | comentar
Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

do mar esperei pela vida


água da vida do sal e do baptismo
no primeiro impacto como exorcismo
na idade do nada mas de tudo  que fica
para sempre marcado como sistema
da primeira atenção da natureza;

num instante senti-me rodeado
numa onda quebrada com firmeza
subindo pelo meu corpo deslocado
de protecções, antes aconchegado
na certeza que não seria engolido...

o mar de Neptuno e da Antárctida
qual celebrado contacto do fundo
elevou-me ao resultado da equação

que descobre o mundo na verdade
de uma protecção tão desejada como
recebida de uma luz num segundo.

publicado por MateusVoltado às 18:43
link do post | comentar
Domingo, 3 de Junho de 2007

circulo da memória

outra vez a ver o mar

há certos encontros na vida
que são difíceis de relatar
com verdade fundamental
de factos encontros e mais
coincidências, o déjà ver,
sensação e pesada existência

no desmanchar da feira 
a primeira angústia reconhece
pessoas num ser descontínuo,
tendo para mim’alma gémea
em escrutínio, se não a mereço
serei cúmplice de mim mesmo

a novidade requer memória
genealogia e ordenação cronológica;
amar sonhador e platónico lugar                            
ao tempo da  vida de nunca ser
nas vezes que fui a ver o mar...


publicado por MateusVoltado às 22:55
link do post | comentar
Sábado, 19 de Maio de 2007

breve enfim

pensar

para Te escrever um poema
Senhor, é preciso lutar
na palavra de luz constante
para que a rima desapareça
e reapareça a crença da frase
as formas levadas ao lugar
do instante, à humildade
-presença das águas límpidas
tão naturais de origem
como os erros da morte...

publicado por MateusVoltado às 23:59
link do post | comentar
Sábado, 12 de Maio de 2007

em memória dos anos 60

Livraria Clássica

não sei de mim nem da geração
que alimentou a curiosidade
de muita palavra, as promessas
o costume de quem gosta
de cobaias, as dormidas no chão
a “múmia” do colchão, as donas
do quarto, a limpeza das estantes
os profetas vizinhos de baixo
agourando a queda do piso
das estantes e o peso dos livros;

todo o ano se esperava
por uma sopa, ou melhor
pela feira do livro, pelos amigos
pelas voltas em sentido único
desapercebido, nas raridades
nos empurrões ao desbarato
os poetas, os artistas e os chatos
de revista debaixo do sovaco,
despenteados com o vento
poeirento da avenida da liberdade.

entravam os panascos do parque
às batatas fritas e ao cabrão
do bife no Aviz ou Ribadouro;
e de que gritos suplicava correndo
bufando atrás das gajas o artista,
mítico pintor da nossa praça
impecável vestido e penteável
sereno ao despejar o saco, buff...
buff, dizia irritado do cheiro a putas.

de resto ao fim do dia ainda se comia
as tapas em pão de centeio, old rarity
quando não se bebia um tinto chambrér
e deixar que os galegos bocejassem
e subir avenida conversando a romper
quase na aurora o desgaste e o cansaço.

publicado por MateusVoltado às 18:13
link do post | comentar
Terça-feira, 8 de Maio de 2007

os à la minute d'agora

com significado da verdade
decorre o conceito da retórica,
a sede sensual, o copo d'água
que emerge da mão, ritual
numa outra palavra, ginástica
mental para não dizer nada
coexistida na forma, a diagonal
frase que se desfaz, acentuada

vem o clic da máquina digital
momento da foto entra em parto
sem consentimento, e rápido
ou está tudo mal e logo se nota
a foto do arraial e casamento

publicado por MateusVoltado às 22:27
link do post | comentar
Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

[des]mote em pós-modernismo


“[...] Los pintores modernos en sus blancos estúdios
cortan la flor aséptica de raiz cuadrada.
En las aguas del Sena um iceberg de marmói
enfría las ventanas y disipa las yedras [...]”
                          
                             Federico Garcia Lorca




os pintores modernos
nos seus brancos ateliês
cortam a flor asséptica
de raiz quadrada...

deixo que as maravilhas de Tarso
cheguem a mim num deserto
de emoções e desesperos
de tabuada mal estudada

produzo tempos e imagens
que se esquecem de viver
nos paraísos esotéricos
de arquivos mal dormidos;

deles emigram as aves
em quilómetros de acetato
micro micróbios pensados
frame a frame destruídos;

libertos saem ilustrados,
depois nascem verdades
em muro circundado
d’águas de um icebergue
esfria as narinas
e dissipa as heras.

publicado por MateusVoltado às 15:44
link do post | comentar
Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

os cinco portões do limite


1. o mundo está frágil
enganador impertinente
sem nunca deixar
de querer o domínio
e o extermínio
do que deu para tirar
impiedoso, cirúrgico
sem dor aparente

2. e vão desaparecendo
a árvore o amor
pela luz e pela flor
que premeia o estar
na vida vegetal
vegetando impotente
num parto natural...

3. de quem pensa na vida
para outro tempo
mental que esquece
o presente o sempre
o igual sem dar
em troca o lugar
onde nascemos

4. e poucas são
as hipóteses de vencer
sem esperar que a morte
desenrole a troca pelo
absoluto, a verdade;

5. interrogativo silencioso
pela ansiedade
reservada ao dia seguinte
num mar tumultuoso e salgado,
bilhete há muito perdido,
onde o sonho se desencontra
no limite da nosso identidade...

publicado por MateusVoltado às 00:17
link do post | comentar
Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

meridiano solar


...depois foi a Casa em ruína
a doutrina vulgar do mundo,
foi  silêncio a cada esquina;
apenas desconsolo, e neblina
no meridiano errado, o destino

de que névoa mais congela,
a torrente do conhecimento
entorpecido nas multidões,
embora numa forma singela
mais bela que o sol, ó Sol

e ninguém deixa de querer
conjugar o verbo renunciar,
privação e paz  no lugar certo,                      
o Vento a baloiçar sem ver
a paz que faz no deserto...



publicado por MateusVoltado às 22:47
link do post | comentar
Sábado, 31 de Março de 2007

pelos mares da Cornualha


“Para Oeste vagueia o olhar:
para Leste navega o barco.”
da ópera Tristão e Isolda, de R.Wagner




para oeste vagueia o olhar:
para leste navega o barco.

o raio de luz atravessa a ilusão
da onda que se desfaz líquida
na alma que passa, migração
predominante de melodia
de efemeridade fantástica

e o tempo de escassa novidade
acolhe a meditação do navegar
deixando para o marinheiro
os prazeres humanos do mar...

para oeste vagueia o olhar:
para leste navega o barco.

publicado por MateusVoltado às 20:48
link do post | comentar
Quarta-feira, 21 de Março de 2007

transverso

chego à minha etapa
do verso concreto
de espaço branco
estendal secreto
amor-gosto, sol-posto
caminho à sorte, o ocaso;

ousado pensamento
de lento transporte
entre montes e vales
sem perturbar o universo.

publicado por MateusVoltado às 20:00
link do post | comentar
Quinta-feira, 8 de Março de 2007

qual seja o destino

cópia opulenta
de riqueza fresca
com desejo, soa
nos bosques
de cimento
voltados
a quatro ventos
num tempo
presente;

lançado
com firmeza
na marca de palavra
deixando para trás
o que se atrasa,
ritos da cidadela
ecoam momentos
de amor e tristeza 

leituras
ao crepúsculo
e regras                                                                       
entre choques
de luz e farpas
sombras e clarões
se apagam;
ó,  reino da incerteza...

publicado por MateusVoltado às 18:54
link do post | comentar
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

viagem de cápsula

houve tempos em que
a noite se calava
adormecida no silêncio
antes da madrugada
e dos ruídos do nada;

as horas não se ouviam
nem o sonho falava
ínfimo resto onde
cintilavam astros
no mesmo silêncio
em forma de universo

e nunca  mais a vi
e nunca mais a  esqueço...

publicado por MateusVoltado às 23:27
link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

d'avis a paris

repasto nocturno



foi numa tarde assim
lenta, morosa de vento
selvagem que o Inverno
estendeu num arrepio,
memória do tempo
que nos dá novas
antigas, que não mais
se reproduzem
em conversas à lareira,
esquecimento
da realidade passada,
incertezas do verbo ser...

depois a refeição
sobre o ardor do lume,
a mitigar contemplação
do belo rosto
e do repasto
do meu sentido,
das coisas e da vida;
encruzilhada de enganos
em cascatas e rios
a escoarem-se..., vazios.


publicado por MateusVoltado às 23:17
link do post | comentar
Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Domingo, Janeiro 28, 2007

memória a nevar

cheguei na hora
de te ver
neve
ao de leve, a cair
em Alfragide...
o tempo agora
está assim;
a tudo se atreve.
incerto, vencedor
mas até breve.

publicado por MateusVoltado às 16:51
link do post | comentar
Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

Outono enquanto é tempo

3 acidentes plásticos


uma curva de cores
num fingir de formas
encapotadas no delírio
do traço ou do melhor risco
das telas de vidro batido
pelo sopro iluminado

luz que trespassa o aroma
caminhos de passagem
num zelar de vida natural
entre luzes perceptíveis
em lugares de miragem

mulheres de xaile mudam
nas praias o sentido do vento,
vendas de camarinhas e pevides
sobre arcas luminosas da feira
e odores de azeite frito

outra forma do desejo
o bulir da pedra, o seixo
das almas do neolítico
alheados da própria sombra
cabanas de xisto luzem
velhos afectos cruzam,
amantes esquecidos
na proa de um barco
a navegar pela nostalgia
dos moinhos desvelados e
fluidos em frigidas neblinas
da pintura de Turner.

publicado por MateusVoltado às 13:07
link do post | comentar
Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

à maneira de querer

antepalavra

senhora do mar
ao naufragar
lado a lado,
logo a vi
numa alga
a flutuar
de mão dada
na tua   

como se o tempo
fosse cortina
d'olhares e amares
em surdinas
tempestades

ah, se eu soubesse
do pesadelo
acordado
ouvindo passos
de inquietude
solitária
contigo a pensar
perdido
de não te sentir
a meu lado assim
diluída na sombra
do sol nascente
 
naquele profundo mar,
lado a lado
agarrados de bocas
coladas sem emergir...

publicado por MateusVoltado às 14:49
link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 29 de Julho de 2006

génio fecundo

as abelhas dançam
em cada flor
e fazem amor
em cada ramo
sem horas para
dormir
sem vida
para comer

dançam, dançam
à volta da flor
e não se cansam
de tanto fazer amor

mel e cera
quem diria
é da abelha
o parto sem dor
porque amor
a toda a hora
cansa
mesmo que seja
no ramo da flor.

publicado por MateusVoltado às 18:47
link do post | comentar
Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

no deserto nem penses

10 horas

Tanto livro
tanta palavra
tanta sabedoria
um dicionário
para nada

16 horas

Tanto livro
tanta areia
tanta sede
e um dicionário

construí um abrigo
tudo queimado
fiquei sem nada

publicado por MateusVoltado às 15:35
link do post | comentar
Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

acerca das rédeas da alma

o meu interior
são pântanos
derreados
sobre a loucura
de latas
de sucata
e pinturas
de esmalte

nas imagens
desejo:

voltar a existir
na pintura
modernista
renascendo
à escala de génio
anímico
que não eu

decisão intacta
de um retrato
de amadeo... 

publicado por MateusVoltado às 21:51
link do post | comentar
Terça-feira, 13 de Dezembro de 2005

escritores malditos

Li, a seu tempo, o romance "Os Cus de Judas" de António Lobo Antunes, nos anos 70. Confesso que na primeira leitura, agora chamada na diagonal, pareceu-me uma prosa desarrumada, desconceituada no aspecto "gráfico-sintáctico". Mas, li alguns capítulos. E voltei atrás para recomeçar numa leitura mais disponível, com mais, digamos, paciência e atento à nova linguagem da sua escrita -porque reflecti sobre a razão estilística do assim "ser". Digo, por outro lado, que renasci do bloqueio das duas décadas precedentes, após a leitura dos romances seguintes de Lobo Antunes. Fez-me sentir noutro mundo narrativo, um pouco semelhante à técnica do romance policial, mas de tal maneira eficaz que, concluí ser a sua prosa pós-neorealista, elaborada para se efectuar uma leitura bem mais rápida, cinética, algumas vezes poética, autobiográfica e contraditória de uma sociedade onde a loucura, se encontra fora das grades dos hospícios. O percurso da minha geração -e do escritor-, encontra-se retratado na sua obra literária, desde a "Memória de Elefante", que obviamente veio incomodar muita gente. António Lobo Antunes foi candidato, várias vezes, ao Prémio Nobel, por mérito do seu perfil de escritor que não é apenas "local"; lê-se em qualquer língua, fazendo-se compreender numa comunicação universal, que se chama, sinceridade e actualidade. Que mais é preciso?

publicado por MateusVoltado às 18:45
link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 12 de Novembro de 2005

universo saramagíneo

saramago3.gif
José Saramago parece gostar de janelas. Há diversas posições de pose, pedidas ou estudadas à janela, normalmente fechada protegendo o que se julga ser a melhor posição de fotogenia. A última que lhe conheço não sendo parecida é igual: ar circunspecto de profundo olhar para além do espaço que transcende o seu universo. Ou, talvez, como que uma reclusão intelectual por detrás da janela de aros de madeira mal pintados, olhando entre vidros o profundo não ser do seu mundo exterior, que o não protege dos seus conflitos existenciais, pois "o universo não tem notícia" da sua existência porque, os que o vêem passar na rua não dirão, "vai ali um materialista", antes, um prémio Nobel, "uma pessoa que tem as suas ideias as suas opiniões, os seus sustos, as suas esperanças"...Quais?-aquelas do Fernando "Pessoa sair do Cemitério dos Prazeres e passear por Lisboa com Ricardo Reis" -achado brilhante [na minha ideia conceptual das coisas em movimento] no seu romance, O Ano da Morte de Ricardo Reis? Talvez não: seria aproximar-se de uma ideia de reencarnação futurista de um qualquer beato da igreja católica. No fundo, o seu conflito não é com Deus mas sim com a Igreja Cristã, tanto mal concebido como entendido, no seu "Evangelho" temático para júris ver, o polemizado conteúdo intertextual de, O Evangelho segundo Jesus Cristo. O tema da morte é uma tentação, uma desilusão, uma frustração para quem não pediu para nascer. Não sei se o universo filosófico de Saramago tem alguma explicação genética, espontânea darwiana, religiosa/marxista, nietzschiana, para o "fenómeno" do percurso do nascer até à morte; de Nietzsche, disse Zaratustra, "como todos os elucidados do além" dizia que o mundo parecia-lhe "um sonho, um poema inventado por Deus. Uma nuvem irisada abrindo-se diante dos olhos de um divino descontente". Em que ficamos; Deus, Darwin, Nietzsche ou Saramago?

publicado por MateusVoltado às 23:22
link do post | comentar
Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005

confúcio à espera de sair

scien18.gif
Eu estou aqui!...AQUI...i...i...

publicado por MateusVoltado às 22:46
link do post | comentar

.Julho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. imagem interpessoal

. o vento que nos guarda

. a mágica transformação

. era assim o caminho marít...

. que poetas árabes em seu ...

. o caminho de eufrates

. ai, se o ai para 2010

. un poème da carta de nave...

. ter coisas a dizer é dizê...

. entre cores e sabores o v...

. mUrosLatas&truqueS

. às vezes dá para lembrar

. um retrato asneirado

. 'arte pelo todo' Fernando...

. o zumbido da melga

. do mondego perdida

. lugares transparentes

. nem tudo que mexe

. pela insónia costumeira

. amanhã já te despedes

. bairro dos marítimos

. tranquilas aves do pensar

. blanco e negro

. ginja como reconstrução d...

. do mar esperei pela vida

. circulo da memória

. breve enfim

. em memória dos anos 60

. os à la minute d'agora

. [des]mote em pós-modernis...

. os cinco portões do limit...

. meridiano solar

. pelos mares da Cornualha

. transverso

. qual seja o destino

. viagem de cápsula

. d'avis a paris

. Domingo, Janeiro 28, 2007

. Outono enquanto é tempo

. à maneira de querer

. génio fecundo

. no deserto nem penses

. acerca das rédeas da alma

. escritores malditos

. universo saramagíneo

. confúcio à espera de sair

.arquivos

. Julho 2010

. Março 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Maio 2009

. Maio 2008

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Julho 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

SAPO Blogs